Damages

Quero andar,
Quero seguir,
Quero voltar.

Voltar a caminhar como caminhava,
Leve e livre de tudo.

Acho que finalmente interiorizei
O que a algum dias digo ao mundo
Com mais vontade de convencer todos os outros
Do que a mim exactamente.

Já não estou la no fundo.
Já, já vejo algo abaixo dos meus pés.
Já vejo com clareza a cor ocre merda onde estava.
Ainda assim o olhar para cima aterroriza-me,
Sinto-me uma criança caida dentro de um poço
A ouvir os passaros a volta la em cima, a procura da carne fresca
Escondida entre as entranhas da terra.
Sentir me assim, Faz-me passar a noite mal dormida.

Observar a caminhada solitária que se apresenta a minha frente
Tira-me o sono.
Assusta-me de morte, de verdade.
Como cai assim? Como deixei?

Realmente não sei.

Só espero que quando chegar a superficie,
Junto dos normais e felizes mortais,
Este monte de escombros em que me encontro
Ainda sirva para alguem,
Que esta queda não tenha destruido tudo o que era,
Que eu entre brincadeiras não tenha destruido tudo.
E que A minha essencia ainda brilhe.

Que a minha essencia ainda brilhe…


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